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Arbitragem ruim não é culpa só dos árbitros

por Guilherme Barbosa, em 2017-08-01 00:00:00

Entra ano, sai ano, começam e terminam campeonatos e a gente segue questionando a qualidade da arbitragem brasileira. É raro acontecer um jogo em que o árbitro ou um de seus assistentes não tome uma decisão questionável, que vire pauta e tome boa parte dos noticiários esportivos, que em sua maioria insiste em culpar única e exclusivamente os árbitros.

Exemplos de erros que a gente pode classificar como grotescos não faltam. Pela Série B, por exemplo, no jogo entre Internacional e Luverdense, pela 15ª Rodada, o auxiliar Marcio Eustáquio Santiago interpretou mal uma jogada, levantou a bandeira indicando impedimento, os jogadores do Luverdense viram, pararam, o árbitro central percebeu que o bandeira tinha feito caca e mandou o lance seguir. Nessa confusão, os jogadores do ataque do Internacional aproveitaram o vacilo da zaga, que no meio da confusão parou (pelo amor de Deus, nem no baba a zaga pode parar) e fez o gol. Pronto, isso foi motivo para um bafafá da zorra no Beira Rio.

Não entendeu muito bem? Confira o lance!



O bandeira percebeu que tinha feito besteira, tanto que põe a mão na cabeça e tudo mais. Nessa bagunça, o Inter venceu e ficou com os três pontos.

Os erros, claro não são exclusividade das divisões inferiores do Campeonato Brasileiro. No domingo passado, dia 30, pela Série A, o Corinthians perdeu 2 pontos em casa, diante do Flamengo, por mais um “escorregão” (com o perdão do trocadilho com o que aconteceu com o árbitro central) de arbitragem. Observe:

Não fosse o erro do auxiliar Pablo Almeida da Costa, que apontou o impedimento no lance que seria do primeiro gol do Timão no jogo, marcado por Jô, o Corinthians teria vencido a partida, que terminou empatada em 1 a 1, e ampliado para 10 pontos a distância para o Grêmio, segundo colocado no Brasileirão, que também empatou em casa, com o Santos.

No dia seguinte, cada um dos árbitros vacilões são execrados em rede nacional de TV, nos jornais e sites esportivos, como se fossem os únicos culpados. Não são. Poucas vezes ouvi, vi ou li comentaristas questionando o motivo da má qualidade de nossa arbitragem.

É bem verdade que a tarefa dos árbitros não é das mais fáceis, mas vamos combinar que esses erros poderiam ser reduzidos, principalmente no Brasil, onde nossa arbitragem não é profissionalizada. A arbitragem do Brasil é literalmente amadora e isso, claro, influencia negativamente em sua qualidade.

Numa partida de futebol profissional nós temos jornalistas, atletas, treinadores, seguranças, todos profissionais com suas profissões reconhecidas, exceto os árbitros. Essa situação faz com que os árbitros sejam pagos apenas pelas partidas que atuam, logo, caso não sejam sorteados para trabalhar em nenhuma partida em um mês eles ficam sem receber. Imagine se toda semana seu patrão fizesse um sorteio e somente os sorteados trabalhariam e receberiam pelo trabalho realizado. Barril, né?

Esse problema impede que os árbitros brasileiros vivam apenas do futebol e obriga os “homens do apito” a ter outra profissão, que precisa ser exercida em horários que poderiam ser utilizados para atualização do árbitro em relação às regras e também para cuidados com o seu condicionamento físico, como acontece com os atletas. Em dias em que não há jogos, os atletas fazem exercícios, recebem orientações nutricionais funcionais, treinam e assistem a vídeos dos jogos de seus adversários o que faz com que o nível de qualidade do futebol praticado se eleve. Será que os árbitros também não teriam um rendimento melhor se tivessem dedicação exclusiva?

Se os árbitros passassem seus dias se dedicando exclusivamente ao seu melhoramento, certamente os erros seriam reduzidos e a gente se preocuparia muito menos com arbitragens ruins e mais em discutir táticas, rendimento de atletas, enfim, com o jogo em si.

A profissionalização da arbitragem no Brasil é urgente e enquanto isso não acontecer, erros grotescos e ridículos como esse continuarão acontecendo a torto e a direito. Mas é preciso dizer que nossos árbitros não erram sozinhos. A CBF e as federações estaduais precisam ter equipes de árbitros e dar a eles condições de se melhorarem para eles possam elevar a sua qualidade, evitando que eles prejudiquem o espetáculo. Salários fixos, profissionais de educação física à disposição e estrutura do aprimoramento são o mínimo a oferecer para os responsáveis pela ordem de um espetáculo de movimenta milhões… De pessoas e de reais.